30 de jan. de 2013

Divagações

Semana passada fui a dois Bailes de Formatura. Em meio às produções, algumas coisas que ouvi me fizeram refletir um pouco. Quando eu estava no salão fazendo uma escova no cabelo tinha uma mulher do meu lado conversando com a outra cabeleireira, e ela estava contando que quando há um casamento em outra cidade, os casais de amigos dela ficam todos em um mesmo hotel, as mulheres passam horas no salão desesperadas enquanto os homens ficam no bar bebendo, depois de contar esta história ela disse que na próxima encarnação gostaria de ser homem. Até aí tudo bem! Eu concordei com ela em alguns termos e me lembrei que por várias e várias vezes eu já disse que queria nascer homem na próxima vida, simples e puramente por vivermos em uma sociedade onde os papéis do homem e da mulher são desiguais e, por conta disso e outras questões mais complexas, eles tem a vantagem de levar uma vida muito mais prática.
O que me fez pensar mais foi quando ela disse a seguinte frase "não sei quem inventou essa história de direitos iguais, agora além de cuidar da casa temos que trabalhar fora também". Confesso que fiquei um pouco nervosa com a afirmação. Como assim ela não quer ter direitos iguais? Achei muito comodismo da parte dela, mas depois refleti, isso que ela está reclamando não se chama "direitos iguais" exatamente porque não são iguais, óbvio. Se a mulher tem que cuidar da casa e trabalhar fora e, supostamente, de acordo com a frase dela, o homem apenas trabalhar fora isso não é igual. Apesar de passar anos e anos lutando contra a opressão feminina ainda não conseguimos alcançar o tão esperado direito igualitário! É claro que temos as exceções, e que existem homens exemplares que dividem o serviço com a mulher, mas ainda é um padrão que muda lentamente. No dia-a-dia, em qualquer lugar, num salão de beleza às vezes desabafamos coisas que acontem no nosso nariz e nos incomodam, mas não conseguimos enxergar a complexidade do assunto ao ponto de nos movermos para mudarmos.

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